segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

BEM VINDO À CASA DE BONECAS

Esse filme norte-americano intitulado “Bem-Vindos à Casa de Bonecas” (1995) está classificado como comédia, porém não tem graça. E onde está a graça do filme? A indústria cinematográfica estadunidense o classificou assim, pois não somente para eles mais para boa parte da população mundial ser diferente é motivo de piadas e repressões.
Pois bem, esse filme conta a história de uma jovem que sofre Bullying na escola por parte de seus colegas. A personagem Dawn Weiner, passa por um drama escolar, a qual é insultada de feia e com um apelido grotesco de cara-de-cachorro ela tenta se inserir no convívio social. Por ser um pouco diferente dos padrões de beleza da sociedade que faz parte, ela é excluída e reprimida por outros colegas.
Pegando um pouco da teoria dos campos de Pierre Bourdieu, é possível detectar que Dawn, não está sendo aceita em nenhum dos campos sociais a qual está inserida, nem na escola e muito menos na família que seria em tese o mais fácil de alocar. A família da jovem Dawn é uma típica família representada nas produções dos ianques, ou seja, pessoas consideradas normais, um estilo ideal a ser seguido no padrão “American way of life”.
O título do filme já sintetiza muita coisa, pois “a casa das bonecas”, nada mais é que uma família feliz de fachada, artificial e fria em suas atitudes. O filme às vezes sufoca quem o assiste pela crueldade dos pais dessa garota que a rejeitam sumariamente, não importa o que ela faça sempre vai ser tachado como algo ruim ou indigno de congratulações.
Dawn Weiner tenta se enturmar com os colegas que resistem em deixar a miserável fazer parte de seus círculos de amizades. Daí ela tenta ser “descolada”, até almeja namorar um colega de seu irmão bem mais velho que ela, tornando-se até a única fã da banda de garagem deles. Começa até a mudar um pouco seu figurino.
Outro detalhe interessante do filme é que quando Dawn sofre algum tipo de repressão ela transmite o que sentiu na pele para outros indivíduos, nos quais ela pode descontar sua raiva, como por exemplo, chamar a irmã de lésbica e seu melhor amigo de “bicha”. O problema disso é que vai se tornando uma bola de neve de insultos que cedo ou tarde vira algo normal, a tipo da expressão “é coisa de jovem”, ou “coisas de adolescentes”, “é normal para a idade”, etc.
O pior disso tudo é que esses jovens que sofrem Bullying, não se esquecem dessas perseguições e repressões dos colegas covardes, daí geram com frequência jovens perturbados que veem como única forma de dar o troco na sociedade pegando em armas e ferindo ou matando os colegas de classe, mesmo que às vezes nem fossem os seus opressores. A exemplo disso houve o massacre de Columbine realizado pelos jovens Eric Harris e Dylan Klebold, que com armas de fogo e um arsenal de bombas caseiras invadiram o colégio, mataram 12 alunos, um professor e cometeram suicídio. Esse fato ocorreu em 20 de abril de 1999, de lá pra cá outros casos aconteceram na terra do Tio Sam e em sua maioria foram associados ao Bullying.
Em uma das cenas do filme, Dawn pega um martelo e por pouco não mata a irmã mais nova que era muito paparicada pelos pais. Certo dia Dawn não repassa a informação da mãe para sua irmã que não poderia busca-la na escola, o que resultou no sequestro da irmã caçula. Daí a casa desmorona, com o sequestro da filha o pai fica doente e a mãe desolada.
Dawn toma a iniciativa de ir atrás de sua irmã em Nova York. Pregando cartazes da desaparecida e perambulando pelas ruas com a foto da irmã, sem sucesso liga para sua casa e descobre que a irmã tinha sido localizada, e sua viagem à metrópole não fora nem percebida pelos pais que nem ao menos a agradeceram ou a repreenderam por ter ido sozinha.

Por fim, pelas inúmeras tentativas de ser aceita na sociedade, Dawn Weiner, cede aos opressores e mantem sua vida de criança ao visitar a Walt Disney World, e deixa sua adolescência pra depois, ou para quando puder exercê-la. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

RESENHA: Cidadania no Brasil: o longo caminho. José Murilo de Carvalho

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 10. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

Ao falar de cidadania no Brasil é inevitável traçar caminhos em que ao longo do século XX os governos dos militares de alguma forma estiveram sempre presentes na configuração política do país, como protagonistas ou coadjuvantes.
O autor divide o governo dos militares em três fases: a primeira situa-se entre 1964 a 1968, com o governo do general Costa e Silva que já apresentava certa atividade repressiva e economicamente o país sofria com inflação e salários parcos. O segundo momento acontece de 1968 a 1974, e é caracterizado como um momento crítico do ponto de vista dos direitos civis e políticos. Marcado como um período de fortes repressões políticas e violências gratuitas a quem discordasse do poderio do tirano Garrastazu Médeci. A terceira e última fase, começa em 1974 no governo de Ernesto Geisel e vai até a eleição indireta de Tancredo Neves em 1985. O período é marcado pelas poucas revogações das leis repressivas e a restruturação dos opositores.
A participação política dos militares deve-se desde o prelúdio da república brasileira, “Mas as oligarquias conseguiram alijá-los construindo o sistema coronelista da Primeira República” (p. 159). Com governo de Getúlio Vargas os militares marcaram presença mais significativa na participação política e depois de 1945 eles entraram na divisão da sociedade que apresentava nacionalistas e populistas versus liberais conservadores.
A repressão política nos governos militares de 1964 a 1974 resultaram de instrumentos legais chamados de “atos institucionais” que foram pouco a pouco minando a cidadania. Os civis foram tendo seus direitos políticos cassados, e os opositores foram caçados pelas comissões de inquéritos, os mais conhecidos foram os Inquéritos Policiais Militares (IPMs). Fazendo uma analogia, essas comissões de inquéritos se assemelham aos tribunais do santo ofício que perseguiam os hereges durante a inquisição medieval, agora os hereges não são os praticantes de bruxarias, mas os adeptos do comunismo.
O ato institucional número cinco fora o mais radical contra os direitos civis e políticos, fechando até o congresso e com demissões massivas de funcionários públicos. Em 1969, sob o governo de Garrastazu Médici foi promulgada uma nova constituição que anexava os atos institucionais.
Os arrochos militares fizeram surgir grupos de esquerda que adotaram táticas militares de guerrilha de 1969 a 1974, “[...] as forças de repressão e da guerrilha se enfrentaram em batalha inglória e desigual” (p. 163), de um lado os guerrilheiros faziam sequestros e assaltos a bancos, enquanto do outro os militares davam a resposta com prisões arbitrárias, torturas e assassinatos.
O período de maior repressão também foi caracterizado como o de maior crescimento econômico. Isso validava as atuações repressoras dos militares diante de seus opositores, pois alimentava um sentimento que o país estava no “rumo certo” criando “Uma onda de nacionalismo xenófobo e reacionário percorreu o país. Viam-se nas ruas e nos carros faixas com os dizeres: ‘Brasil: ame-o ou deixe-o”, uma crítica explicita à oposição, sobretudo à oposição armada” (p. 168). Porém esse milagre econômico fora desmistificado pelos pesquisadores que descobriram que foi na verdade um momento de disparidades entre as classes, onde os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres. Houve na verdade um aumento das desigualdades sociais.
Apesar da truculência do governo ditatorial nos direitos civis e políticos, houve algum ganho nesses anos de trevas da democracia, onde “[...] os governos militares investiam na expansão dos direitos sociais” (p. 170), com a criação de mecanismos como o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e o Fundo de Assistência Rural (Funrural) que proporcionaram alguns benefícios como aposentadoria e pensão. Fora criado também o Fundo de garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que tinha a finalidade similar a um seguro-desemprego, assim como o Banco Nacional de Habitação que facilitava a compra de moradias pela classe trabalhadora e por fim para “coroamento das políticas sociais, foi criado em 1974 o Ministério da Previdência e Assistência Social” (p. 172).
Em 1974, o general Ernesto Geisel proporcionou uma abertura política, onde minimizou as restrições da propaganda eleitoral, revogou o AI-5, o fim da censura prévia no rádio e na televisão e o regresso de 120 exilados políticos atenuando a Lei de Segurança Nacional.

Durante os 21 anos do governo militar ocorrera vários retrocessos mas também avanços no que diz respeito a cidadania. E falando em direitos sociais e políticos, “[...] os governos militares repetiram a tática do Estado Novo: ampliaram os direitos sociais, ao mesmo tempo em que restringiam os direitos políticos” (p. 190). Os governos militares ganharam um crédito com a população em geral, pois primeiro unificaram o sistema previdenciário (neutralizando a população citadina proletariada), em seguida fazendo média com a população rural para que conquistassem seus primeiros direitos, porém isso só durou até o fim do suposto milagre econômico quando as taxas de crescimento começaram a decrescer.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

RESENHA: Jornalistas e revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa. Bernardo Kucinski



KUCINSKI, Bernardo. Jornalistas e revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa. São Paulo: Página Aberta, 1991.
Entre 1964 e 1980 cerca de 150 periódicos que tinham uma pegada oposicionista ao regime militar brasileiro nasceram e pereceram. Chamada de imprensa alternativa ou nanica, por terem características “de algo que não está ligado a políticas dominantes; o de uma opção entre duas coisas reciprocamente excludentes; o de única saída para uma situação difícil e, finalmente, (...) de protagonizar as transformações sociais que pregavam” (p. 05).
A imprensa alternativa batia de frente com a imprensa oficial aliada ao governo militar, pedia a volta da democracia, o respeito pelos direitos humanos e criticava o modelo de sistema econômico ao qual o país faz parte.
Segundo o autor havia duas grandes classes dos jornais alternativos um com viés político enraizado na valorização do nacional e do popular intercalando “no marxismo vulgarizado dos meios estudantis nos anos de 1960” (p. 05). Esses jornais possibilitavam a população conhecer a dívida externa que estava demasiadamente acumulada e o desgaste dos direitos civis, que estavam sendo usurpados sem resistência dos civis brasileiros, entregue aos militares e patrocinado pela grande mídia. A outra classe de jornal tinha raízes na contra-cultura estadunidense “no orientalismo, no anarquismo e no existencialismo de Jean Paul Sartre” (p. 06). Esses jornais se opuseram contra a hipocrisia moral da classe média e o autoritarismo dos costumes.
O PASQUIM transformou as linguagens, sejam elas jornalísticas / publicitárias ou a coloquial, essas mudanças interferiram até nos hábitos e valores dos jovens que já provinham de uma moral provinciana forjada na falácia do milagre econômico.
Surgida de duas forças igualmente compulsivas, a imprensa alternativa, tinha o desejo de transformação pelo ideário esquerdista “e a busca por jornalistas e intelectuais, de espaços alternativos à grande imprensa e à universidade” (p. 06). No decorrer das mudanças no imaginário social e com a articulação com jornalistas e intelectuais iriam surgindo novos jornais provindos da imprensa alternativa.
A importância da imprensa alternativa deve-se ao fato que apesar de ter sua essência de cunho jornalístico fora também um “espaço de reorganização política e ideológica das esquerdas nas condições específicas do autoritarismo” (p. 07), o entrelaçamento fora tão significativo que a história da esquerda brasileira se confunde com a da história da imprensa alternativa.
Não demorou muito para aparecerem jornais alternativos que inspirados pela revolução cubana almejavam atrair jovens para se tornarem guerrilheiros e confrontarem o governo militar. A imprensa alternativa brasileira se difere das demais imprensas alternativas dos Estados Unidos e da Europa, por serem intrinsicamente forjadas pelo ambiente de repressão ditatorial além de terem aversão ao sistema econômico capitalista, com “um espírito anticapitalista” (p. 08) faziam suas publicações que por muitas vezes cairiam nas garras da censura. Os recursos financeiros para sustentar essa imprensa alternativa provinham dos próprios jornalistas que trabalhavam na imprensa convencional, assim como apoiadores intelectuais e militantes políticos.
Fazendo uma análise histórica é suscetível dizer que a imprensa alternativa fora a sucessora legítima dos folhetins, dos pasquins e da imprensa anarquista que floresceu em meados do Brasil oitocentista, e que no século XX tenta dar continuidade contra o estado opressor agora não monárquico, mas golpista militar.
Esses jornais eram perecíveis, pois de “cerca de 150 jornais, um em cada dois não chegava a completar um ano de existência” (p. 12), apenas 25 jornais tiveram uma vida um pouco mais duradoura com cinco anos de duração. Teorias do senso comum, segundo o autor, justificam o fim desses jornais que faziam parte da lógica da ditadura, como um “sistema termodinâmico no qual a cada aumento ou diminuição da pressão autoritária corresponderia um aumento ou diminuição da atividade alternativa” (p. 12), porém essa tese cai por terra quando pensamos “a repressão, os seqüestros de edições, a censura prévia, os processos políticos, tudo isso precipitava crises latentes dentro dos jornais; raramente foram as causas diretas do seu fechamento” (p. 12).
O modelo ético-político da imprensa alternativa era o repúdio ao lucro “e, em alguns jornais, até mesmo o desprezo por questões de administração, organização e comercialização” (p. 13), essa postura antieconômica prejudicava sua expansão e geraram divergências internas pela “não-valorização do respeito mútuo, do direito de divergir, a incapacidade de operar novas propostas participativas que surgiram nos jornais basistas, em especial após 1976, contribuíram para fragilizar os jornais alternativos” (p. 14).

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Ensaio: O Jornalista, o Assassino e a Ética

  Hernani Oliveira

O Jornalista e o Assassino, livro da escritora tcheca Janet Malcolm, é uma obra impar na discursão sobre a ética jornalística. Esse livro tem como protagonistas um acusado de assassinato, que matou toda a família com requintes de crueldade, e um jornalista (Joe McGinniss) que depois de uma publicação de sucesso busca um novo best-seller, após anos de fracasso de publicações de pouco impacto, logo de pouco retorno financeiro.
O jornalista como homem das letras tira justamente de histórias noticiosas seu sustento, e o Joe McGinniss almejava isso, até ser convidado para fazer a defesa do acusado de homicídio Jeffrey McDonald, que matara sua esposa grávida e duas filhas pequenas a golpes de pauladas e facadas em 1970.
O advogado do médico militar, McDonald, viu na figura de McGinniss a oportunidade de inocentar de vez o seu cliente e o convidou para escrever um livro que melhorasse a imagem do réu. O jornalista é claro aceitou, ficou muito próximo do McDonald chegando até a ser um confidente, mas no final das contas fez o inverso e só concretizou as acusações da promotoria.
Ao que se refere à postura ou conduta do jornalista, o livro da Janet abre um leque de possibilidades no âmbito da ética desse profissional sendo esse o objetivo desse ensaio.
De acordo com o Código de Ética do Jornalista, no artigo sétimo “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação”. Não se pode dizer que McGinniss fugiu desse princípio de primar pela verdade, porém a divulgação não visava informar ao público, mas o lucro provindo da venda do livro Fatal Vision publicado em 1983.
Porém esse artigo do Código de Ética do Jornalista fica na maioria das vezes só no papel, pois alguns profissionais esquecem e geram até um desserviço a população, como defende a jornalista Isadora Schimitt.
O compromisso com a verdade e a apuração precisa dos fatos - dois assuntos tão falados em debates sobre comunicação - apesar de já estarem batidos, infelizmente são esquecidos todos os dias por alguns profissionais. A busca pelo furo e a rapidez da notícia hoje tão exigida pelos meios - apesar de terem sua importância para a informação - acabam muitas vezes prestando um desserviço ao público (SCHMITT, 2004).
O capitalismo molda a personalidade de seus agentes, assim valores éticos dependem de qual lado está o capital. O jornalismo é uma profissão que gera um dessas categorias de agentes que sustentam a engrenagem do sistema mata-mata capitalista. Essa engrenagem, onde o que não se publica por manter o lado ético até mesmo do código de ética do jornalista, vem outro e publica a história sem receio de punições. A liberdade de expressão não se limita nem por questões éticas.
Para o jornalista Cláudio Abramo, a ética do cidadão é mesma do jornalista, não existe duas ou meio termo, o limite e o senso da atividade profissional seguem os mesmo princípios de outras profissões.
No jornalismo, o limite entre o profissional como cidadão e como trabalhador é o mesmo que existe em qualquer outra profissão. É preciso ter opinião para poder fazer opções e olhar o mundo da maneira que escolhemos. Se nos eximimos disso, perdemos o senso crítico para julgar qualquer outra coisa. O jornalista não tem ética própria. Isso é um mito. A ética do jornalista é a ética do cidadão. O que é ruim para o cidadão é ruim para o jornalista. (ABRAMO, 1988, p. 109)
Porém a ética do cidadão é formulada por princípios e valores religiosos, culturais ou políticos que por várias vezes podem ser considerados até mesmo preconceituosos e arcaicos, que atingem diretamente a ética de alguns grupos. Dizer que a ética do jornalista é mesma do cidadão depende de qual tipo de cidadão se está falando. Pobre ou rico, negro ou branco a mídia tem sempre suas escolhas.
O difícil é tomar isso como princípio norteador, achar que o jornalista segue a risca somente o que lhe convêm ou o que não fere o seu entendimento e comportamento ético em suas atitudes ou publicações, é algo demasiadamente errôneo. Será que um jornalista cristão irá tratar com imparcialmente um assunto que atinge diretamente o seu credo? Ou criticar o sistema capitalista o qual o sustenta? Claro, ter duas posições sobre determinado assunto é algo preocupante, pois logo atinge o caráter, mas a ética circunscreve a conduta e as circunstâncias do momento do circo midiático em que se vive.
Isso se deve a priori a liberdade de imprensa, que só é tomada pelos donos do jornal (ABRAMO,1988). Para escrever em um jornal tem que seguir a linha editorial do mesmo, ou seja, o que o dono acha viável ou não ser lançado para a opinião publica.
Em um mundo onde não precisa ir longe para se enxergar as discrepâncias do sistema econômico vigente, onde de um lado tem a maioria esmagadora de pobres e de outro uma minoria ínfima de ricos, é preciso uma espécie de contrato social de respeito de propriedade ou de fortuna, ou seja, o dominado tem que entender sua função de peão no tabuleiro de xadrez capitalista. Para manter a população sempre subordinada é preciso ideias que orientem a posição do submisso que é a de sustentar a pirâmide econômica e isso os meios de comunicações lidam muito bem, logo ser ético depende do contexto sócio cultural dos envolvidos.
Aquela expressão popular que diz, ninguém nasce sabendo, é um caminho para explicar que o conhecimento que temos do mundo é passado de geração em geração, mas essas ideologias não caem do céu, são elaboradas por pessoas (os jornalistas são uma destas) que ditam as diretrizes transformando até mesmo em valores, para que sejam mantidos os privilégios dos dominantes e abafem qualquer forma que prejudique o sistema de exploração.
O jornalista tem que ter muita cautela no ato da produção de uma matéria, pois pode mudar vidas para sempre. Aquela expressão “errar é humano” também se aplica ao jornalista, por pior que pareça ainda são humanos, mas o erro não pode se converter em hábito.
Erros podem acontecer, mesmo existindo profissionais sérios e compromissados com a veracidade dos fatos. Evidentemente, com os erros, empresas jornalísticas respeitadas caem em alguns pontos com o público e os profissionais também. Mas todos são passíveis de erro, seria ilusão pensar o contrário. No entanto, por isso mesmo, a responsabilidade da mídia em relação ao seu público é cada vez maior (NONATO; JESUS, 2013).
São inúmeros os casos onde a mídia gera notícias que ferem diretamente o código de ética do jornalista e nada acontece, e se há um reparo é insignificante a altura do estrago causado.
O exemplo mais plausível é o “caso da escola base”, onde a imprensa brasileira fez um linchamento midiático e estragou a vida de várias pessoas, e posteriormente indenizou algumas, mas dinheiro nenhum restaura uma imagem que fora danificada em vários veículos de comunicações em um curto prazo de tempo. A retratação nunca tem o mesmo tempo da difamação, logo na memória coletiva fica aquela que foi mais incisiva.
Os seres que tiram para seu sustento polir a informação, precisam de uma maior responsabilidade para repassar a notícia o mais próximo da verdade possível, pois, “Os jornalistas são responsáveis, quanto ao conteúdo, pelo reflexo fiel e completo dos negócios públicos, pela proposta da visão crítica, assegurando uma informação respeitosa dos fatos e pessoas” (CORNU, p. 107, 1998).
Dessa forma a tentativa desesperada da defesa de McDonald de produzir um livro que mudasse a opinião pública sobre seu cliente, fora buscar em um jornalista para tentar limpar seu nome do crime bárbaro. O que eles não sabiam era que justamente o jornalista sepultaria de vez essa defesa.
Não acredito na ética situacional e certamente não acredito que os jornalistas devam mentir e deturpar para obter a colaboração de alguém. Acho também que essa duplicidade lança sérias dúvidas sobre o que está escrito. Para mim, se a liberdade de imprensa depende do direito a mentir, então é uma liberdade que não deveria ser protegida. Dizer à mãe de MacDonald por telefone, ‘Não descansarei enquanto o seu filho não for inocentado’, e depois ir escrever um livro como aquele — tem alguma coisa nisso que cheira muito mal. (MALCOLM, p. 113)
Essa citação retirada do livro em questão da Janet Malcolm se refere ao tipo de ética que o McGinniss assumiria e colocaria em cheque a postura jornalística, sendo por vezes bipolar por força da profissão. E que profissão é essa de dupla face? A confiabilidade, por vez está intrínseca à credibilidade. A liberdade de imprensa estaria em viés superior as demais?
Para o autor Daniel Cornu, o jornalismo por ser uma atividade com aspecto coletivo e de um papel de grande importância, devido à ética supor uma liberdade, ao colocar em prática a liberdade de imprensa quase nunca é individual (CORNU, 1998).
Não se pode afirmar que McGinniss foi pioneiro nesse jogo que fez com McDonald, de ganhar a confiança da fonte, deixa-la a vontade para contar tudo e depois reunir as informações contra ela. Essa conduta do jornalista varia de acordo com as pressões estruturais que influenciam as escolhas e métodos em seu comportamento jornalístico (CORNU, 1998). Para o jornalista extrair informação da fonte exige um trabalho de investigação apurada, pois a fonte só libera o que bem quiser ser publicado.
Entre o jornalista e as fontes existe portanto um jogo de forças, que com maior frequência está do lado das fontes, que dominam as operações e decidem quanto ao conteúdo e ao momento da informação. O jornalista faz papel de detetive. Além disso, ele está concorrendo com seus colegas de profissão, o que o coloca numa posição ainda mais delicada (CORNU, p. 88,  1998).
Essa pressão que existe em coletar informações e reuni-las para elaborar uma produção noticiosa e ao mesmo tempo o jornalista está concorrendo com seus colegas, faz com que na maioria das vezes se esqueçam da ética profissional. O jeito de conduzir o caso pelo McGinniss ao escrever seu livro, levou Malcolm a reunir diversas opiniões sobre a prática jornalística e onde estaria a tal da ética.

REFERÊNCIAS
ABRAMO, Cláudio. A regra do jogo: o jornalismo e a ética do marceneiro. São Paulo: Companhia das letras, 1999.
CÓDIGO DE ÉTICA DOS JORNALISTAS BRASILEIROS. Disponível em: <http://www.fenaj.org.br/federacao/cometica/codigo_de_etica_dos_jornalistas_brasileiros..pdf>. Acesso em: 18 dez. 2015
 CORNU, Daniel. Ética da informação. 2. ed. Bauru, SP: EDUSC, 1998.
MALCOLM, Janet. O jornalista e o assassino. Disponível em: . Acesso em: 05 dez. 2015
NONATO, Diogo Oliveira; JESUS, Joscivanio de. Princípios éticos e abusos da imprensa. Disponível em: . Acesso em: 15 dez. 2015

SCHMITT, Isadora. Ética em desuso. Disponível em: . Acesso em: 22 dez. 2015.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Os irmãos Grimm transcreveram histórias orais de seus antepassados

Uma ilustração pelo guindaste de Walter de A Bela ea Fera de 1875.Muitos escritores têm especulado sobre a origem, a antiguidade e significado dos contos de fadas. Estas histórias fantásticas muitas vezes envolvem magia; estranhas, situações arcaicas; falando animais; reis, senhores e servos; impertinente, filhos desobedientes; bruxas, heróis e anti-heróis. Por exemplo, em "O servo prudente" A história dos irmãos Grimm, Hans é um enigma que não pode ser explicado em termos modernos. A história diz Que sorte é o mestre, e como tudo vai em sua casa, quando ele tem um servo sábio que ouve suas ordens e não as obedece, mas prefere seguir sua própria sabedoria. A Hans inteligente deste tipo já foi enviado por seu mestre para buscar uma vaca perdida. Ele ficou longe muito tempo, eo pensamento mestre, fiéis Hans não poupa nenhum dores sobre o seu trabalho. Mas quando ele não voltou em tudo, o mestre estava com medo de que algum infortúnio lhe tinha sucedido, e partiu-se a olhar para ele. Ele teve que procurar um longo tempo, mas finalmente avistou o menino correndo para cima e para baixo um grande campo. Agora, queridos Hans, disse o mestre, quando ele se levantou para ele, você encontrou a vaca que lhe enviei a procurar. Não, mestre, ele respondeu: Eu não encontrei a vaca, mas então eu não olhei para ele. Então o que você tem procurado, Hans. Três melros, respondeu o menino. E onde estão eles, perguntou o mestre. Eu vejo um deles, I ouvir o outro, e eu estou correndo após o terceiro, respondeu o menino sábio. Tome exemplo, por isso, fazer-vos não problemas sobre seus mestres ou as suas ordens, mas sim fazer o que vem em sua cabeça e lhe agrada, e então você vai agir Hans tão sabiamente como inteligentes. Essa história pode não ser um dos mais antigos, mas não há uma visão de mundo de um tipo na mesma, que alguns poderiam dizer deixou o mundo. Afinal, quando as pessoas que imaginaram os contos de fadas falou-los em primeiro lugar, a maior parte do mundo acreditava em magia. Por que isso ocorre a um menino que ele iria procurar melros, quando ele tinha sido solicitado para encontrar vaca perdida de seu mestre? Mas então como você explica isso ? Os autores de um novo estudo dizem que talvez os Irmãos Grimm eram certo, afinal, quando a teoria de que os contos de fadas tinham suas raízes em uma tradição pré-histórica indo-europeu que se estendeu desde a Escandinávia até o sul da Ásia. Outros estudiosos demitido hipótese de os Grimms 'logo depois eles fizeram isso no século 19. Mas um novo estudo da cientista social e folclorista Sara Graça da Silva e antropólogo Jamshid J. Tehrani, usando um sistema filogenético, diz a pesquisa das origens dos contos de fadas confirma a alegação feita pelo Grimms: As histórias têm suas raízes em tradições orais desconhecidas que em alguns casos remontam a milhares de anos. Drs. Graça da Silva e Tehrani escrever em seu artigo altamente técnico na revista da Royal Society Open Science: "Por exemplo, dois dos contos de fadas mais conhecidos, ATU 425C" A Bela ea Fera "e ATU 500 'o nome do ajudante Supernatural" ( "Rumpelstiltskin") foram escritas para baixo nos séculos XVII e XVIII. Enquanto alguns pesquisadores afirmam que ambos os enredos têm antecedentes na mitologia grega e romana, nossas reconstruções sugerem que eles se originaram significativamente mais cedo. Ambos os contos podem ser seguramente rastreada até o surgimento das grandes subfamílias indo-europeus ocidentais como linhagens distintas entre 2500 e 6000 anos atrás, e pode mesmo ter estado presentes no último ancestral comum dos idiomas indo-europeus ocidentais. " No The New Yorker revista em 2012 Joan Acocella escreveu um artigo que disse que há dois tipos de contos de fadas. O primeiro é literária. "O outro tipo de conto de fadas, o antepassado da variedade literária, é o conto oral, cujas origens não pode ser datado, uma vez que precedem história recuperável. contos de fadas orais não são tanto histórias como as tradições ", escreveu ela. Mas Drs. Graça da Silva e Tehrani tentaram rastrear quantos anos contos de fadas são através da aplicação de um sistema, filogenética, para rastrear os atributos da linguagem nos contos às suas origens. Phylogenetics foi desenvolvido pela primeira vez para estudar relações dos organismos com base nas semelhanças e diferenças evolutivas. Mais tarde, foi aplicada a fenómenos culturais, incluindo a política, línguas, tradições de casamento, música e cultura material e, agora, contos de fadas, escrevem os autores. A tabela abaixo, a partir de seu artigo, mostra quão longe os pesquisadores acreditam que algumas dessas histórias ir. Note-se que no topo é a língua proto-indo-europeu, que lingüistas dizem que surgiu por volta de 4000 aC. Os autores identificaram quatro andares naquela época, no início, que foram adicionados à medida que o tempo passou. Em um artigo sobre a pesquisa em Phys.org, escritor Bob Yirka explica a metodologia dos Drs. Graça da Silva e Tehrani: "Eles começaram com 275 contos de fadas, cada enraizada em magia, e talhou-los até 76 histórias básicas. Árvores foram, então, construído com base na Indo-Europeu línguas, alguns dos quais foram extintas. Ao fazê-lo, os pesquisadores encontraram evidências de que alguns contos de fadas, como Jack eo Pé de Feijão, foram enraizadas em outras histórias, e poderia ser rastreada até um momento em que Ocidental e línguas indo-européias orientais dividir, que foi de cerca de 5.000 anos atrás , o que significa, claro, que eles são anteriores à Bíblia, por exemplo, ou mesmo mitos gregos ". Nos Folktales livro do Amur: Histórias do Extremo Oriente russo por Dmitiri Nagishkin, AP Okladnivov da Academia de Ciências da URSS, está escrito na introdução: "A semelhança de temas em contos antigos é impressionante. Uma criança solitária, o herói fugitivo Azmun, velas de ninguém sabe onde a terra dos Nivkhs. Da mesma forma, a criança bíblica de Moisés, a quem a filha do faraó encontrado nos juncos do Nilo, era um herói à deriva em um rio poderoso. ... É claro que o mundo conto de tribos do Extremo Oriente só é um riacho que flui no mar do folclore mundial. Este ribeiro é pequeno, mas cristal puro e fresco, cheio de reflexões de sua vida distintivo. E seria um grande erro para tentar reduzir o conteúdo desses contos para estereótipos comuns. Cada etnia tem colocado em estes contos padrão seu próprio conteúdo específico, gerou suas próprias variegada, imagem caleidoscópica, a sua própria coloração local. " Ms. Acocella, um escritor de The New Yorker, cita um folclorista que pode concordar com o Sr. Olkadknikov: "contos de fadas orais não são tanto histórias como tradições. Nas palavras do romancista Inglês Angela Carter, que escreveu algumas histórias baseadas em Grimm emocionantes, perguntando onde um conto de fadas veio é como perguntar quem inventou a almôndega. Cada narrador reinventa o conto. " Contos de fadas dos Irmãos Grimm são recolhidas aqui: https://www.cs.cmu.edu/~spok/grimmtmp/ Imagem em destaque: Uma ilustração por Gennady Pavlishin dos Folktales livro do Amur: Histórias do Extremo Oriente russo, mostrando um pequeno bebê, Azmun, encontrada em uma ilha no rio, que cresce para se tornar um herói. Este tipo de história enjeitado-herói foi contada em todo o mundo. Fonte: Folktales do Amur: Histórias do Extremo Oriente russo. 



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